domingo, 20 de Abril de 2014

Conferência de Sociologia

envelhecimento da população

No dia 2 de Maio realizar-se-á na ESPR uma conferência de Sociologia, às 09:30 h, no Auditório.

Tema: GRANDES DESAFIOS DAS SOCIEDADES CONTEMPORÂNEAS.

Resumo: “Esclarecer o que é a Sociologia e qual o seu papel face a alguns dos desafios do séc. XXI, tais como as alterações climáticas, o envelhecimento da população, a globalização, etc.”

Autor: Prof. Doutor José de São José, Diretor de Curso na licenciatura em Sociologia da UALG.

Destinatários: as turmas de Humanidades do 11º e 12º anos.

Esta conferência concretiza uma ideia aqui anunciada há meses.

sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Este é o lugar

Este é o lugar | This must be the place

Fotografias de Pieter Hugo na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, até 1 de junho de 2014.

pieter-hugo-self-portrait Pieter Hugo

hugoself Pieter Hugo

Imagens: dois autorretratos de Pieter Hugo, duas das dezenas de fotografias que fazem parte da exposição.

sábado, 12 de Abril de 2014

Imagem sociológica

crianças

Proposta de trabalho.

A ideia é os alunos criarem uma imagem (fotografia, desenho, etc.) capaz de ilustrar um tema sociológico e escreverem uma pequena legenda explicativa.

Não se trata de um trabalho difícil, mas, como requer competências que não são sociológicas, não é obrigatório, mas sim opcional. Contudo, é de salientar que a imagem tem de ser criada pelos alunos (e não apenas encontrada) e que a legenda deve ser clara e bem escrita.

A classificação será ponderada no âmbito dos “Mini testes e outros trabalhos” (20%), caso melhore – como é provável Sorriso - a média dos alunos.

O trabalho será exposto na escola no Dia do Pinhas (29 de Abril), quando recebermos na escola alunos do 1º Ciclo, do 9º e do 8º ano.

Fotografia: Chris Steele-Perkins.

sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Mal resolvido

Keystone 1960

Há muito, muito tempo, num país longínquo, dois monges puseram-se destemidamente a caminho de um mosteiro distante. Estava um belo dia de vento e chuva. Iam a pé, avançando lentamente por uma estrada de terra batida muito enlameada e cheia de poças de água.

A certa altura, viram uma mulher que queria atravessar a estrada mas que hesitava, pois percebia que ia sujar o seu bonito vestido comprido na lama. Um dos monges, o mais velho dos dois (tinha quarenta e tal anos, enquanto o outro andava pelos vinte e poucos), aproximou-se da mulher e, depois de a saudar com uma curta vénia e lhe pedir licença, ergueu-a no ar com gestos cuidadosos e respeitosos (evitou que o seu corpo tocasse no dela), e colocou-a do outro lado da estrada. Fez outra vénia, um pouco mais rasgada que a primeira, e assim que ela terminou as palavras de agradecimento retomou a caminhada, seguido de perto pelo outro monge.

Até ao momento em que encontraram a mulher, o monge mais novo tinha-se mostrado alegre e espirituoso, falando pelos cotovelos, mas agora ia calado e respondia com secos monossílabos às questões do companheiro. O seu ar era tão carrancudo que o silêncio se tornou mais sombrio e pesado que o céu, apesar deste ameaçar com uma tempestade. Horas depois, já mergulhados na escuridão da noite e quando o cansaço ameaçava transformar-se em dor, chegaram ao mosteiro. Rezaram e depois lavaram-se e comeram. O monge mais novo manteve sempre o seu silêncio irritado e ostensivo. Quando o seu companheiro já se preparava, com a tigela e a colher na mão, para se levantar é que, sem fitá-lo com o olhar pregado no chão, finalmente falou:

- Fizeste mal em pegar naquela mulher ao colo. Porventura esqueceste que fizemos um voto de castidade?

O monge mais velho sentou outra vez o corpo meio erguido, pousou devagar a tigela e a colher na madeira velha da mesa e fitou o outro monge com um imperceptível sorriso nos lábios. Observou-lhe primeiro as mãos, morenas e grandes mas sem marcas de trabalho, e depois olhou para dentro dos seus olhos, que logo fugiram para o lado e depois para o chão. Se os monges daquele distante mosteiro não se tivessem já recolhido teriam encontrado doçura e não dureza ou amargura na voz do monge mais velho:

- Eu deixei a mulher na estrada, há horas atrás. Tu ainda a trazes contigo.

Fotografia: Keystone, 1960. Encontrada no facebook do grande fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado.

História: Lida não sei onde e recontada de memória.

terça-feira, 1 de Abril de 2014

Desigualdade

Alves Redol, Gaibéus

 Alves Redol    Alves Redol Gaibéus

As classes sociais: exemplos

Maria do Carmo Espírito Santo Silva

Maria do Carmo Espírito Santo Silva (considerada em 2013 a 10ª pessoa mais rica em Portugal).

João Lobo Antunes

O neurocirurgião, professor universitário e ensaísta João Lobo Antunes.

professora do ensino secundário

Professora do Ensino Secundário.

operário numa fábrica de automóveis

Operário numa fábrica de automóveis.

varredor de rua

Funcionário da limpeza.

sem abrigo

Sem-abrigo.

classe baixa

terça-feira, 25 de Março de 2014

Equilíbrio difícil

Conciliar a vida profissional e a vida familiar não é um desafio apenas atual. Há décadas atrás já acontecia, embora a menos pessoas.

Lisboa 1965 (Cais do Sodré) - Engraxadores

Fotografia de Eduardo Gageiro: Engraxador no Cais do Sodré, em Lisboa. Ano: 1965.

Os estados ou ordens

3 ordens medievais

«Os estados faziam parte de muitas civilizações tradicionais, incluindo o feudalismo europeu. Os estados (ou ordens) feudais consistiam em estratos, cada qual com diferentes obrigações e direitos. Na Europa o estado mais elevado era composto pela aristocracia e pela pequena nobrez rural. O clero formava outro estado, os homens do povo (servos, camponeses, mercadores e artesãos) formavam o chamado “terceiro estado”. »

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pág. 284.

«Segundo Max Weber, a ordem (ou estado) indica a categoria do indivíduo e do estrato a que pertence e, sobretudo, o “estilo de vida” que une todos os que pertencem ao mesmo estrato (...): atitudes, hábitos, valores, formas de educação e de transmissão cultural, regras de comportamento homogéneas, embora no seio de cada ordem houvesse relevantes diferenças de riqueza e de responsabilidades políticas e sociais. Diferentemente do que sucede no caso das castas, entre as ordens são tolerados quer um certo grau de mobilidade individual, quer a possibilidade de contrair matrimónios com membros de outros estratos. Assim, por exemplo , na Idade Média a habilidade nas armas ou a entrada numa ordem religiosa podia permitir o acesso a um estrato diferente do de nascimento, enquanto na era moderna os burgueses podiam comprar títulos de nobreza.»

Lucia DeMartis, Compêndio de Sociologia, Edições 70, Lisboa, 2006, pág. 116.

domingo, 23 de Março de 2014

Racismo à brasileira

milton nascimento jovem

Quem quer ser negro no Brasil?

«Uma médica que nos hospitais é confundida com empregada de limpeza e cresceu a ouvir “negro não presta”. Um magistrado que foi o primeiro negro num tribunal superior do país em Brasília. Um doutorado a quem pedem para arrumar o carro. Breve geografia do racismo à brasileira (…)

No segundo país com a maior população negra do mundo a seguir à Nigéria, ser negro é pertencer a uma maioria de 51% da população de 200 milhões. Mas o último Censos, de 2010, mostrava que apenas 26% dos universitários eram negros; e apenas 2,66% dos alunos que terminaram o curso de Medicina eram negros».

Documentário sobre o racismo no Brasil: Justiça Seja Feita - Racismo.

A banda sonora ideal para a notícia do Público: Caçador de Mim, de Milton Nascimento.

sábado, 22 de Março de 2014

Matriz do 4º teste de Sociologia

classes sociais professores abaixo da classe média

Duração: 90 minutos.

Objetivos:

1. Comparar a sociedade portuguesa atual e a sociedade portuguesa do período do Estado Novo, no que diz respeito a valores como o amor e a felicidade e às relações familiares, nomeadamente entre homem e mulher.

2. Distinguir as várias formas de violência intrafamiliar ou doméstica.

3. Conhecer dados sobre a violência doméstica.

4. Explicar as principais causas da violência doméstica.

5. Explicar as consequências que a violência doméstica pode ter sobre as crianças que assistem.

6. Discutir se as mudanças sociais ocorridas nas últimas décadas alteraram os papéis desempenhados por homens e mulheres na vida familiar e na sociedade.

7. Distinguir mobilidade social vertical (ascendente e descendente) de mobilidade social estacionária.

8. Explicar o que é a estratificação social e indicar os principais sistemas de estratificação social.

9. Descrever os aspetos da sociedade Mbuti relevantes para a questão da estratificação social.

10. Explicar o que é a escravatura.

11. Descrever o sistema de castas da Índia.

12. Descrever o sistema de ordens ou estados típico do feudalismo europeu.

13. Explicar o que é uma classe social e explicar as principais características do sistema de classes existente nas atuais sociedades ocidentais.

Links:

Matriz do 3º teste (O que for relevante)
Links sobre violência doméstica
Links sobre estratificação social

A escravatura

contra a escravatura

“A escravatura é a prática social em que um ser humano assume direitos de propriedade sobre outro - o escravo -, ao qual é imposta tal condição por meio da força.

Em algumas sociedades, os escravos eram legalmente definidos como uma mercadoria. Os preços variavam conforme as condições físicas, habilidades profissionais, a idade, etc. O dono ou comerciante pode comprar, vender, dar ou trocar por uma dívida, sem que o escravo possa exercer qualquer direito e objeção pessoal ou legal, mas isso não é regra. Não era em todas as sociedades que o escravo era visto como mercadoria: na Idade Antiga, os escravos de Esparta, os hilotas, não podiam ser vendidos, trocados ou comprados, isto pois eram propriedade do Estado espartano, que podia conceder a certos cidadãos o direito de usar alguns hilotas; mas eles não eram propriedade particular, o Estado é que tinha poder sobre eles.

A escravatura está muitas vezes associada a fortes preconceitos raciais, segundo o qual o grupo étnico ao qual pertence o escravo é considerado inferior.

Na antiguidade também foi comum a escravização de povos conquistados em guerras entre nações.

Enquanto modo de produção, a escravidão assenta na exploração do trabalho forçado da mão-de-obra escrava. Os senhores alimentam os seus escravos e apropriam-se do produto restante do trabalho destes.”

Fonte: Wikipédia (adaptado).

escravos capturados sendo levados para um navio negreiro

escravidao escravos no porão de um navio

Jean-Léon Gérôme Mercado de escravos em Roma

sexta-feira, 21 de Março de 2014

Links sobre estratificação social

estratificacao social pirâmide

Onde está a piada?

‘Chicken a la Carte’: é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que acabar com a fome e a miséria!

Estratificação social

Mbuti: poucas desigualdades, mas ainda assim longe da igualdade

A escravatura

A escravatura foi abolida oficialmente mas continua a existir

O sistema de castas indiano

Castas: a desigualdade hereditária

Mudanças no sistema de castas indiano

As três ordens medievais: Nobreza, Clero e Povo

O sistema de classes nas sociedades actuais

estados ou ordens medievais

O sistema de castas indiano

Structure_of_the_Indian_society

Os atores da telenovela brasileira “Caminho das Índias” explicam o sistema de castas indiano:

Uma reportagem sobre os Intocáveis, os sem casta:

Para saber mais sobre os Intocáveis e sobre o sistema de castas indiano ver aqui e aqui.

As quatro castas indianas:

4 castas da índia 

Um Intocável, trabalhando nos esgotos:

Intocável trabalhando nos esgotos

“Um menino indiano da casta dos dalit (intocáveis) considerada a mais baixa do sistema indiano foi morto [em 2011] no Estado de Uttar Pradesh, norte da Índia, por ter o mesmo nome de um outro menino de uma casta superior.” Mais informações aqui.

Links sobre violência doméstica

violência doméstica as crianças veem

Violência doméstica

Lar, amargo lar

Violência doméstica oculta

Algumas causas da violência intrafamiliar

Estudo sobre violência de género

Número de mulheres mortas por violência doméstica quase duplicou de 2007 para 2008

De Janeiro a Novembro de 2013 foram assassinadas 33 mulheres pelos companheiros

A violência no namoro

39% dos idosos portugueses sofre maus tratos

Em Portugal a violência doméstica é um crime (quase) sem castigo

Violência doméstica: as crianças vêem

terça-feira, 18 de Março de 2014

Como convencer as pessoas a terem mais filhos?

Como-fazer-Crianças-e-Adolescentes-Comerem-direito

Uma resposta humorística, mas muito inteligente: fazendo uma campanha publicitária com um slogan não enganador - “As crianças são desagradáveis, mas fofas”.

Rádio Comercial, Mixórdia de Temáticas: Publicidade a Crianças, de Ricardo Araújo Pereira.

domingo, 16 de Março de 2014

Violência doméstica

A violência doméstica, por vezes chamada intrafamiliar, pode incidir em:

Crianças.
Adolescentes.
Mulheres.
Idosos.
Homens.

E pode assumir várias formas:

Negligência.
Maus-tratos físicos.
Maus-tratos psicológicos/emocionais.
Abuso sexual.

A lista, contudo, não é exaustiva: o abandono e a imposição de trabalhos inadequados (nomeadamente no caso de crianças e idosos) também lá poderiam figurar.

Conceito e sinais indicadores de violência doméstica, segundo a APAV.

Conceito e sinais indicadores de violência doméstica, segundo o ACIDI.

 

Mais homens pedem ajuda, mas vergonha impede queixa por violência doméstica

sábado, 8 de Março de 2014

It's A Man's Man's World, mas…

Hoje é o Dia da Mulher. Vale a pena assinalá-lo para que amanhã seja novamente um dia das mulheres.

mãe e filha em Havana

Mais fotografias de mães e filhas: As mulheres (e as suas filhas)

Etta James, It's A Man's Man's World.

terça-feira, 18 de Fevereiro de 2014

A igualdade em construção

A igualdade entre homens e mulheres parece ser algo que ainda está em construção. Basta olhar para alguns números oficiais para perceber que nesta área há trabalho para fazer, por exemplo, no trabalho doméstico: as mulheres continuam a ser as principais sacrificadas. Os homens portugueses, gastam, em média, 96 minutos por dia a cozinhar, limpar ou a cuidar enquanto as mulheres gastam 328 minutos, ou seja, as mulheres trabalham em casa quase quatro vezes mais que os homens. E estes números são da OCDE.”

Fonte: SIC.

Reportagem televisiva a propósito do início de uma Campanha Nacional de Igualdade de Géneros transmitida em Outubro de 2013 na SIC. AQUI.

Outra reportagem: Paulo partilha todas as tarefas domésticas e pediu a licença de parentalidade para ficar com a filha.

segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2014

Quanto pode custar ao país uma geração de filhos únicos?



«Em 2013, Portugal voltou a registar uma quebra recorde em termos de natalidade: nasceram apenas 82.538 crianças, muitos dos quais permanecerão como “filhos únicos” e provavelmente superprotegidos. Lá fora, a chegada destes miúdos ao mercado de trabalho já suscita inquietações. (…)
“Quando estes miúdos chegam ao mercado de trabalho (…) exigem tarefas bem definidas e um constante feedback. E é muito difícil dar-lhes um feedback negativo sem esmagar os seus egos”, lamenta-se o empresário e escritor norte-americano Bruce Tulgan, autor do livro Not Everyone Gets a Trophy». 

Artigo completo no jornal Público.

sábado, 15 de Fevereiro de 2014

Matriz do 3º teste

family família

DURAÇÃO: 90 minutos.

OBJETIVOS:

1. Explicar o que é uma família.

2. Explicar os conceitos de monogamia, poliginia, poligamia e poliandria.

3. Distinguir os principais tipos de família de acordo com a sua estrutura: nuclear, extensa, múltipla, monoparental, sem vínculo conjugal, pessoa só.

4. Distinguir os principais tipos de família de acordo com a sua forma de constituição: 'tradicional' (casamento heterossexual), união de facto, recomposta e homossexual.

5. Conhecer e relacionar as principais mudanças sociais que nas últimas décadas afetaram a família (nas sociedades ocidentais, nomeadamente a portuguesa):

A. aumento dos divórcios;

B. diminuição da nupcialidade;

C. diminuição da natalidade;

D. aumento do número de filhos fora do casamento;

E. aumento da idade média ao primeiro casamento;

F. aumento das uniões de facto e de outras formas de conjugalidade;

G. reconhecimento legal e social dos direitos das mulheres;

H. aumento do trabalho feminino fora de casa;

I. maior valorização do afeto, da intimidade e da partilha na relação dos cônjuges;

J. Valorização da infância.

6. Explicar da emergência de novos tipos de família: monoparentais, recompostas, homossexuais e uniões de facto.

7. Comparar a sociedade portuguesa atual e a sociedade portuguesa do período do Estado Novo, no que diz respeito a valores como o amor e a felicidade e às relações familiares, nomeadamente entre homem e mulher.

8. Conhecer dados sobre a partilha de tarefas domésticas entre homens e mulheres em Portugal.

9. Conhecer dados sobre a desigualdade laboral entre homens e mulheres em Portugal.

10. Distinguir as várias formas de violência intrafamiliar ou doméstica.

11. Conhecer as principais causas da violência intrafamiliar ou doméstica.

12. Discutir se as mudanças sociais ocorridas alteraram os papéis desempenhados por homens e mulheres na vida familiar e na sociedade.

LINKS:

Conceitos:

Introdução à Família

A família já não é o que era

O que é uma família?

De pai para filho

Famílias

Famílias

A difícil vida doméstica das famílias recompostas

Monogamia e poligamia

Poliginia e poliandria

Poliginia

4 esposas

A atualidade:

Indicadores demográficos sobre a família em Portugal -1

Indicadores demográficos sobre a família em Portugal -2

Do trabalho ao amor

Mudanças na família e a importância da ‘relação’

A sede de amor

O ideal do casamento moderno

Durante o Estado Novo:

O lugar da mulher, segundo Salazar

O namoro, no meu tempo…

Aquilo de que não se pode falar nem ver

A beleza é pudibunda!

Tenham vergonha, tenham muita vergonha, pelo amor de Deus!

Objetos em vez de sujeitos

Casas portuguesas

Amor e sexo no tempo de Salazar

Mocidade Portuguesa Feminina: “o que nós queremos que as nossas raparigas sejam”

Amor e sexualidade no Estado Novo

Nascido para viver

O prazer é pecado?

Mudou mesmo?:

Mulheres nos cargos de chefia casam-se menos e divorciam-se mais

Portuguesas ganham menos que portugueses

Mas… e a divisão de tarefas?

A partilha de tarefas domésticas: muito longe da igualdade

Empregada e doméstica: o 2º turno

Retrato social de uma mulher portuguesa

A desigualdade de oportunidades no trabalho: má sorte ser mulher!

Partilha de tarefas domésticas melhora vida sexual!

"Querido, cheguei! O que fizeste para o jantar?"

Lar, amargo lar

Algumas causas da violência intrafamiliar

Violência doméstica: as crianças veem

O prazer é pecado?

Na Irlanda, em 1952, a jovem Philomena Lee engravida porque não sabia que as relações sexuais podiam ter essa consequência e acredita quando lhe dizem que cometeu um pecado horrível e que merece sofrer. “Eu nem sequer sabia que tinha um clítoris”, dirá cinquenta anos mais tarde - quando já não acredita que o prazer seja pecado, embora ainda acredite em dois outros mandamentos cristãos: o amor e o perdão.

Um filme muito bom, que nos ajuda a compreender melhor as sociedades marcadas pelo Catolicismo, como a irlandesa e a portuguesa, e nos deixa a pensar porque é que algumas pessoas parecem precisar da religião para dar sentido às suas vidas e outras não.

Eis a sinopse que acompanha o trailer do filme Filomena, de Stephen Frears:

“Irlanda, 1952. Numa sociedade profundamente conservadora, a jovem Philomena engravida. Por esse motivo, é enviada para um convento onde, como forma de remissão, é obrigada a trabalhar e a dar o filho para adopção. Cinquenta anos volvidos, e após muitas tentativas de reencontrar a criança, Philomena ainda não perdeu a esperança. É então que o acaso a leva a conhecer Martin Sixsmith, ex-correspondente da BBC, que se interessa pelo assunto e lhe propõe escrever um artigo para uma revista. Juntos, seguem viagem até aos EUA, onde lhes será revelada a extraordinária história da criança perdida e onde ainda haverá espaço para uma cumplicidade inesperada, que ajudará ambos a abraçar a vida de uma outra maneira. Um filme sobre o amor e a perda.”

quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2014

Aquilo de que não se pode falar nem ver

Fatos de banho nas praias

A Portaria (nº 69 035) da Câmara Municipal de Lisboa, do ano de 1953, estabelece multas a aplicar por atentados ao pudor.

“Verificando-se o aumento de atos atentatórios à moral e aos bons costumes, que dia-a-dia se vêm verificando nos logradouros públicos e jardins, e, em especial, nas zonas florestais Montes Claros, Parque Silva Porto, Mata da Trafaria, Jardim Botânico, Tapada da Ajuda e outros, determina-se à Polícia e Guardas Florestais uma permanente vigilância sobre as pessoas que procuram frondosas vegetações para a prática de atos que atentem contra a moral e os bons costumes. Assim, (…) estabelece-se e determina-se que o artigo 48 tenha o cumprimento seguinte:

1º Mão na mão ………………………………..……2$50

2º Mão naquilo………………………………...….15$00

3º Aquilo na mão………………………..……….30$00

4º Aquilo naquilo………………………..……….50$00

5º Aquilo atrás daquilo……………………..100$00

Parágrafo único - Com a língua naquilo..........150$00 de multa, preso e fotografado.”

Tenham vergonha, tenham muita vergonha, pelo amor de Deus!

«Sabe-se que a Igreja associou sempre o sexo e a sexualidade à ideia de vergonha e culpabilidade, inspirando assim ao homem o temor do seu próprio corpo. [Mas] Terminaram sem dúvida os tempos em que, nos colégios e seminários, se designava o membro masculino pela perífrase de ‘serpente diabólica’ e a vagina de ‘antro de Satanás’; nos estabelecimentos de banhos públicos, os espelhos estavam severamente proibidos e vertia-se na água das banheiras, para que perdesse a transparência, uma substância denominada ‘pó do pudor’.»

Norberto Valentini e Clara di Meglio, O Sexo no Confissionário, 1973.

Estas palavras de Norberto Valentini e Clara di Meglio referem-se à Itália, mas também em Portugal a Igreja Católica promoveu uma visão da sexualidade semelhante, nomeadamente no período do Estado Novo.

Mais informações sobre o livro O Sexo no Confissionário aqui.

terça-feira, 11 de Fevereiro de 2014

O namoro, no meu tempo…

aparicio rillo namoro na janela

Esperança, que em 2009 tinha 90 anos e vivia numa aldeia do norte do Alentejo, conta como era antes o namoro e o casamento.

“Namorava-se um ano, mais coisa menos coisa. E namorava-se à porta ou à janela do rés-do chão, se a houvesse. Enquanto o rapaz não pedisse a rapariga em casamento não entrava lá dentro. Ficava ela do lado de dentro e ele do lado de fora. Depois do pedido, sim, já podia entrar, sentar-se ao lado da moça, e conversarem os dois. Mas faltava ainda os pais do noivo virem pedir a rapariga aos pais da noiva, escolher a data do casamento e entregar as prendas. Eram coisas muito sérias!

No dia do matrimónio, as noivas pare que... as noivas parece que iam magoadas. Não sei explicar... era assim! Agora não. Vai tudo contente! Vai tudo a rir-se! Mas no meu tempo a noiva era uma coisa séria. Iam emocionadas. Iam emocionadas. Iam! Os pais choravam, e a noiva chorava também! Não sei se choravam porque deixavam os pais... mas a verdade é que não se sabia se iam para bem, se iam para mal. Havia homens que eram maus para as mulheres e elas tinham que aguentar, porque o casamento era para a vida. Hoje não aguentam nada. Hoje quando se travam de razões, olha, vai à tua vida, que eu vou à minha. Ele ganha para ele, ela ganha para ela. Antigamente não! A mulher estava só em casa, às obediências do que o homem ganhava. E havia pessoas que eram muito agressivas! Eu não tenho razão de queixa, porque o meu marido era bom de mais para mim, mas sim, havia homens mais agressivos, muitos deles alcoólicos! Enfim, é como agora, só que antigamente a mulher estava sempre baixinha, não levantava a voz.”

“Oiçamos João, um alfacinha de 76 anos [em 2010]: Namorava-se com tudo menos com o corpo. O corpo não namorava. Pensava nisso, mas não namorava. Não quer dizer que não houvesse o toque, as mexidelas, mas a fase final do coito não existia, ou existiria pouquíssimas vezes. Estou convencido que era assim, na generalidade.

Eu só “estive” com a minha mulher na noite em que nos casámos. A família guardava a menina na varanda, longe dos toques e da cobiça do namorado, porque assim se prolongaria o apetite. (...) A mulher era uma peça que estava guardada, para que o homem fosse servir-se dela, utilizá-la em primeira-mão, e se não tivesse o selo de garantia intacto, dava direito ao adquirente a protestar. Muitos homens da minha geração tinham aliás a preocupação de verificar com atenção se na noite de núpcias os lençóis estavam manchados de sangue.

Eu e a minha mulher namorámos uma eternidade: oito anos! Oito anos sem relações sexuais! Platonismo total, absoluto. Só dois ou três beijos à mistura. (...)

Ao final dos oito anos, a família deitou a criança às feras, atiraram-na para os braços do ‘energúmeno’ – eu [risos] -, e tenho de reconhecer que vivemos realmente uns anos bons. Tínhamos uma relação íntima ótima, o que foi uma verdadeira surpresa.”

Isabel Freire, Amor e Sexo no Tempo de Salazar, A Esfera dos Livros, Lisboa, 2010, pp. 121 e 123-124.

Fotografia: Aparício Silva Rillo